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Braskem diz que ‘neotectonismo’ explica problema no bairro do Pinheiro

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A Braskem, apontada por muitos como uma das responsáveis pelas rachaduras, fissuras e subsidência nos bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro, se antecipou ao laudo da CPRM e divulgou na tarde deste sábado, 4, que uma série de abalos sísmicos, agravada pela falha geológica existente nos bairros que estão em área de calamidade, seriam os responsáveis pelo fenômeno.

A indústria, responsável pela exploração do cloro/soda, usa estudos de especialistas para justificar o argumento, antes mesmo da divulgação do laudo oficial, que deve acontecer na próxima quarta-feira, dia 8 de maio, pelo Ministério das Minas e Energia. Segue a nota:

O neotectonismo, a ciência que estuda as movimentações geológicas recentes nas placas tectônicas da Terra, explica o problema do bairro do Pinheiro, em Maceió, segundo apontam geólogos que estudam o caso das rachaduras que apareceram na região nos últimos tempos.

Essas movimentações têm desencadeado uma série de abalos sísmicos no Nordeste, incluindo o estado de Alagoas, que derrubam a tese de o Brasil deter um território estável. Somente em 2016, foram registrados 16 tremores em solo alagoano. Em março de 2018, um tremor de 2,5 pontos na Escala Richter agravou o problema de rachaduras em ruas e imóveis no Pinheiro.

“Há uma linha de tremores que começa em Feira de Santana, na Bahia, atravessa o Estado de Sergipe, entra em Alagoas e passa perto de Maceió. Há muitos anos, temos registros de abalos sísmicos com epicentro nos municípios de Pilar, Satuba e Branquinha”, esclarece Renato Senna, geólogo formado pelo Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“O tremor registrado em março de 2018, no bairro do Pinheiro, foi filmado e nos assustou. É como se sacudisse a terra – e isso causa danos. Agora imagine 16 tremores, um atrás do outro! Há cerca de dois meses, ocorreram quatro tremores em Sergipe e casas racharam. Isso não é uma peculiaridade de Maceió”, detalha Senna, que trabalhou por 40 anos – de 1965 a 1995 – na Petrobras, onde pesquisou como geólogo inúmeros fenômenos na região Nordeste.


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No caso do bairro do Pinheiro, o estudioso se debruça sobre dados produzidos pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) e o Observatório Sismológico da Universidade Nacional de Brasília (UNB). Segundo o geólogo, apesar de conhecidos, os abalos sísmicos são imprevisíveis. “Não temos controle sobre os tremores. Se pudéssemos prever, não ocorreriam os desastres fenomenais que vemos no mundo inteiro”, salienta Senna. O neotectonismo identifica os eventos ocorridos a partir do terciário superior, há mais de 65 milhões até 2,6 milhões de anos atrás. 
Os sismos no Nordeste brasileiro chamam a atenção de pesquisadores ligados à geologia estrutural desde o início da década de 1980, quando passaram a ser mais frequentes. Os problemas em áreas urbanas, relacionados aos tremores de terra na região, não são recentes. Em 30 de novembro de 1986, milhares de construções foram danificadas e 10 mil pessoas tiveram que abandonar suas casas, na cidade de João Câmara, Rio Grande do Norte. Mais recentemente, em 2018 – mesmo ano do tremor que abalou o bairro do Pinheiro –, o município potiguar registrou mais de 50 tremores em uma só madrugada.

Agravante no Pinheiro

Os tremores recentes potencializam as falhas geológicas já existentes na terra. De acordo com os geólogos, o bairro do Pinheiro sente mais os efeitos dos abalos por estar localizado sobre rochas sedimentares e localizado em uma bacia endorreica, ou seja, onde a água acumulada das chuvas não consegue escoar para os rios e chegar ao mar. Neste local, existia uma lagoa que foi aterrada para a construção de prédios, casas e condomínios.

“Essa bacia apresenta diversas falhas. Como a água das chuvas fica acumulada e não tem para onde escoar, penetra e abre ainda mais as fissuras. Cada metro de altura de água acumulada equivale a uma tonelada, por metro quadrado de área, representando um peso substancial, e isso fragiliza o sedimento que é abalado pelos tremores como se fosse uma gelatina sobre um prato que você balança”, pondera o geólogo, especialista em Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e mestre em Geociências pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ricardo Queiroz, que colaborou na elaboração do Mapa Geológico de Alagoas, trabalho realizado pelo Serviço Geológico do Brasil em 2016.


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