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Revolução de 1932 contribuiu para SP se tornar potência nacional

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A capital paulista também passava por transformações

A capital paulista também passava por transformações
Agência Estado/1932

A cidade de São Paulo vivia um cenário de industrialização, urbanização e incertezas no momento em que se deflagrou a Revolução Constitucionalista de 1932, no dia 9 de julho, data que se tornou feriado estadual, celebrado nesta terça-feira.

As lavouras de café, ainda que continuando a se embrenhar pelo interior do Estado, já não eram as únicas a mover a economia paulista.

Leia mais: Por que 9 de Julho é feriado em São Paulo — e quais as marcas da Revolução na cidade

Vanguarda progressista era parte atuante na revolta

Vanguarda progressista era parte atuante na revolta
Agência Estado/1932

E os próprios motivos da revolta estadual tinham origens distintas: de um lado, a elite conservadora rural e escravagista, temerosa em perder privilégios com a Revolução de 1930, que colocou Getúlio Vargas na presidência do Brasil.

E de outro, a vanguarda da burguesia paulista, progressista, respirando novos ares, emanando a Arte Moderna, abrindo novas ruas e exigindo de Getúlio as promessas que se encaixavam aos novos tempos: uma Assembléia Constituinte, por uma nova Constituição para o País.

A José Paulino, inaugurada em 1916, começava a ser asfaltada e se tornar palco de comércio e de oportunidades para os imigrantes. A cidade ganhava nova feição, que ao mesmo tempo empolgava e assustava.

Essas inquietações foram muito bem descritas no romance Éramos Seis, de Maria José Dupré. Depois, foi adaptado para novela, em várias versões. Em 1958, foi produzida pela Record. Em 1967 e 1977, pela TV Tupi. E em 1994, pelo SBT.

Entre os protagonistas da trama estão a dona Lola (Eleonora), que veio de Itapetininga para morar em São Paulo. Ela se casou com Júlio, vendedor em loja de tecidos, tornando-se depois gerente.

Os filhos eram a meiga Isabel, a única menina; o ingênuo Julinho; o rebelde Alfredo e o primogênito Carlos, estudioso e responsável.

Na versão de 1977, em adaptação feita por Rubens Ewald Filho e Silvio de Abreu, Alfredo é interpretado por Douglas Mazzola, na infância, e Carlos Alberto Riccelli na fase adulta. Julinho teve interpretação de Marcelo Pinsdorf como criança e Ewerton de Castro como adulto.


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Maria Isabel de Lizandra fez o papel de Isabel adulta, enquanto a menina Ivana Bonifácio foi a criança. Paulo César de Martino foi Carlos como menino e Carlos Augusto Strazzer interpretou o personagem na fase adulta. Gianfrancesco Guarnieri fez o papel de Júlio e Nicette Bruno, de Lola.

Quando a revolução estoura, Carlos é ferido na manifestação que causou a morte dos jovens Martins, Miragaia, Dráusio, Camargo e Alvarenga, que morreu meses depois, por causa dos ferimentos.

Já Alfredo, sempre irrequieto, vai para o front e retorna ferido, de muletas, amadurecido e amargurado pelo drama da guerra. Vai então viajar pelo mundo.

Júlio morre em decorrência de uma úlcera. Carlos, pouco tempo, depois também morre, por causa de doença estomacal. Julinho se casa com uma mulher da sociedade e vai morar no Rio de Janeiro. Isabel, para desgosto de Lola, se casa com um homem desquitado.

Profecia do vizinho

O vizinho da família, Lúcio, interpretado por Flávio Galvão, participa dos combates e é salvo por uma bíblia que levava no bolso, após levar um tiro no peito, ao se levantar para tentar acudir um companheiro ferido.

E Lola, após morar com a família na Avenida Angélica; no Bom Retiro, termina em um quarto de pensão, solitária, na Barra Funda.

Acuadas e com as fronteiras bloqueadas, sem mais recursos as tropas do Estado se renderam em 2 de outubro de 1932, após 87 dias de combate e mais de 900 mortes, oficialmente.

O pai de Lúcio, Virgulino (interpretado por João José Pompeo), faz uma espécie de profecia, de sua poltrona, com o jornal na mão, quando sabe da derrota dos paulistas: “Perdemos uma batalha, mas não a guerra.”

E ele tinha razão. A “guerra” foi vencida, do ponto de vista simbólico. As reivindicações paulistas foram aceitas, apesar da derrota militar. E em 1934 é promulgada uma nova Constituição, que institui, entre outras leis, o voto secreto.

Também é nomeado um civil, Armando Sales de Oliveira, para o cargo de governador.

Vitória na derrota

E do ponto de vista econômico, por se situar perto do porto de Santos, que foi liberado pelas tropas federais após o término da guerra, o Estado de São Paulo e sua capital desenvolveram-se ainda mais.

Por aglutinar uma grande população em torno de suas terras férteis, havia em São Paulo potencial de consumo e de produção, que se encaixou ao período de fortalecimento da indústria e do desenvolvimento tecnológido. E tornou a região o centro financeiro do País.

O impacto da Segunda Guerra também acelerou a produção local, devido à retração do comércio mundial e a necessidade de substituição de importações.

O governo federal continuou comprando estoques de café paulistas, na Política de Valorização do Café, em meio à crise mundial.

O governo de Sales de Oliveira, no rastro do desenvolvimento, inaugurou a Universidade de São Paulo, também em 1934.

E na gestão do prefeito Fábio Prado, hoje nome de avenida na Chácara Klabin, foi criado o Departamento de Cultura e de Recreação da capital paulista.

No mesmo ano, foi inaugurado ainda o Edifício Martinelli, maior arranha-céu de São Paulo na época, com 26 andares e 105 metros de altura, e marco de outra revolução: a arquitetônica.

O Estado e a cidade foram ganhando tanta importância que, ironicamente, Getúlio Vargas, considerando São Paulo o alicerce de seu projeto de industrialização, participou da inauguração da Avenida 9 de Julho, homenageando a revolução, em 1938.

Espírito romântico

A saga da família de Lola, em meio a uma época de transformações no Estado, conta um pouco do desenvolvimento da sociedade paulista.

Uma das músicas da trilha, relativa a Carlos, era “Modinha”, interpretada pelos Titulares do Ritmo, e famosa também na voz de Altemar Dutra e na de Elizeth Cardoso.

Descrevia o espírito romântico da época. E da revolução. “Olho a rosa da janela, sonho um sonho pequenino…se eu pudesse ser menino…eu roubava aquela rosa…e ofertava, todo prosa, à primeira namorada.”

Na São Paulo, centro do movimento, que se desenvolveu depois e se tornou metrópole, cada um passou mesmo a ir para um lado, insinuando um caos.

Mas não totalmente disforme. Todos acabam convergindo para um único palco. A própria cidade. Olham, de todos os cantos, a rosa na janela.

É nesta São Paulo, de Éramos Seis, que o universo de seus personagens, os cidadãos, passou a viver, a cada dia, uma nova revolução. Eles se tornaram milhões.

Conheça as 10 principais reclamações dos paulistanos

Source: R7


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